Porreta a iniciativa das jornalistas Marina Amaral, Natália Viana e Tatiana Merlino (todas ex-Caros Amigos) que botaram no ar a página "A Pública", nada menos que uma promissora "Agência de Reportagens e Jornalismo Investigativo".
De saída, 50 traulitada produzidas a partir de documentos do Wikileaks que estão sendo distribuídas a cada duas horas ao longo dessa semana.
E o engraçado da história é que a trupe dos jornalões, que andava dizendo que a internet, os blogs e sites, nada mais eram do que caixa de ressonância da velha mídia, está agora com o olho pregado na Pública esperando o próximo drops, sabor pólvora.
Pois, vamos logo a elas. O link já está devidamente posicionado ali do lado direito, na Redondeza.
Parabéns muchachas!
ET: enquanto isso, no site do Estadão, jornalão por excelência, o que resta é a produção de um parrudo factoide. Aproveitando-se da aura suspeita que cerca o prefeito de Campinas, o jornal estampa em letras garrafais um "grampo" que trataria de um suposto lobby do Dr. Hélio com o marketeiro de Dilma em favor de uma empresa chinesa. Ouça aqui o áudio, disponibilizado pelo mesmo jornal que produziu o factoide, para perceber como não há absolutamente nada de ilegal, irregular ou anti-ético na conversa dos dois. Aliás, o Prefeito deixa claro que se trata de uma decisão de investimento já tomada pela empresa, em favor de Campinas, e que se trata de uma oportunidade - legítima e corriqueira - da Presidenta Dilma, que estaria na cidade, participar do anúncio oficial do investimento da multinacional.
Lamentável! De minha perspectiva, a ilegalidade do episódio está apenas e tão somente na divulgação de uma gravação que foi produzida com autorização da justiça para investigar suspeitas de corrupção na prefeitura de Campinas e que não tem qualquer vínculo com o teor da conversa sobre a qual montaram o factoide. Seria ótimo que o Ministério Público Paulista, responsável pelas investigações em Campinas, se comprometesse, primeiro, a apurar como o material vazou de seus processos e, segundo, a defender o interesse do público ante a patente e irresponsável má fé do "furo" jornalístico desse carcomido jornalão.
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29.6.11
25.6.11
a moratória que revigora
Enquanto o clima de tensão pré-colapso se espraia entre os europeus, a prestigiosa e conservadora revista The Economist publicou dias atrás em seu site uma nota acabrunhada sobre um estudo no qual são analisados vários casos de moratória de dívidas soberanas (os ditos defaults). Comparando diferentes experiências desde 1999, o tal estudo aponta que, ao contrario do que costumam vaticinar os 'analista do mercado', o desempenho econômico dos países que declararam moratória melhora sensivelmente no período pós-calote.
De fato, como se observa no gráfico acima, com exceção de economias cronicamente inviáveis (Belize, Camarões ou Granada), em todas as demais as taxas de crescimento do PIB pós-calote (em azul escuro) dão um salto quando comparadas às taxas pré-calote (em azul claro).
Veja-se, por exemplo, como melhorou a vida de nossos vizinhos uruguaios: nos anos que antecederam ao default, amargavam uma recessão que se aproximava de -3% do PIB; declarada a moratória, o PIB só faz crescer, a uma taxa quase chinesa, que hoje já é superior a 8% ao ano.
Mas os números divulgados pela The Economist não revelam apenas esse caráter virtuoso das moratórias. Deixam claro também que são justamente as baixas taxas de crescimento do PIB que muitas vezes levam os países à situação de insolvência. Dessa perspectiva, a decisão de não pagar é o último ato de uma tragédia anunciada e representa apenas o momento de acerto de contas com o passado. Baixado o pano, o país estará livre para a retomada do crescimento em uma nova base, com menor endividamento e menores riscos.
Curiosamente, não li nem ouvi nossos mídia-ligeiras tocarem no assunto.
Pois, market-friendly que são, deveriam estar mais atentos ao jogo.Tais números apenas atestam o que há muito sabemos: trata-se de capitalismo em estado bruto - capital en su tinta! Moral à parte, uma vez declarado o default, a nação ex-caloteira é rapidamente perdoada e abre-se terra virgem a novas rodadas de acumulação capitalista. O apetite dos homens se encarrega do resto.
De fato, como se observa no gráfico acima, com exceção de economias cronicamente inviáveis (Belize, Camarões ou Granada), em todas as demais as taxas de crescimento do PIB pós-calote (em azul escuro) dão um salto quando comparadas às taxas pré-calote (em azul claro).
Veja-se, por exemplo, como melhorou a vida de nossos vizinhos uruguaios: nos anos que antecederam ao default, amargavam uma recessão que se aproximava de -3% do PIB; declarada a moratória, o PIB só faz crescer, a uma taxa quase chinesa, que hoje já é superior a 8% ao ano.
Mas os números divulgados pela The Economist não revelam apenas esse caráter virtuoso das moratórias. Deixam claro também que são justamente as baixas taxas de crescimento do PIB que muitas vezes levam os países à situação de insolvência. Dessa perspectiva, a decisão de não pagar é o último ato de uma tragédia anunciada e representa apenas o momento de acerto de contas com o passado. Baixado o pano, o país estará livre para a retomada do crescimento em uma nova base, com menor endividamento e menores riscos.
Curiosamente, não li nem ouvi nossos mídia-ligeiras tocarem no assunto.
Pois, market-friendly que são, deveriam estar mais atentos ao jogo.Tais números apenas atestam o que há muito sabemos: trata-se de capitalismo em estado bruto - capital en su tinta! Moral à parte, uma vez declarado o default, a nação ex-caloteira é rapidamente perdoada e abre-se terra virgem a novas rodadas de acumulação capitalista. O apetite dos homens se encarrega do resto.
7.6.11
e quantos dias trabalhamos para o rentismo?
É impressionante como os mídia-ligeira se derretem pelo tema "dias de trabalho necessários para pagar impostos". Em 25 de maio passado, se dedicaram com afinco a divulgar uma campanha patrocinada pelas Associações Comerciais, na qual alguns postos de gasolina se dispuseram a vender combustíveis descontando o valor dos impostos do preço final do produto. Segundo os patrocinadores do ato, tratava-se de uma estratégia para chamar a atenção do público sobre o peso da carga tributária sobre a renda nacional (PIB). Supostamente, a data escolhida demarcava o tanto de dias de trabalho que, em média, nós brasileiros dedicamos a custear o setor público.
Mas se esqueceram de dizer a verdade - o que é deplorável e muito grave, considerando que o assunto é da maior relevância e que, ao contrário do que repercutem os mídia-ligeira, os números trombeteados estão muito distantes da realidade.
Para analisar o peso do setor público sobre a economia deveriam retirar da conta todas aquelas despesas que correspondem a transferências de recursos que apenas são intermediados pelo setor estatal.
Como se pode observar na figura abaixo (baseada em estudo do IPEA), todas as fatias em tons de azul correspondem a pagamentos realizados pelos órgãos públicos que se destinam a bolsos privados (15,3%). É o caso, por exemplo, das aposentadorias do setor privado (6,9%), das aposentadorias do setor público (4,7%), do FGTS, do Bolsa Família, Subsídios, etc. Não faz o menor sentido dizer que trabalhamos para pagar estas despesas sem considerar que, a depender da nossa condição social (aposentado, desempregado, invalido, etc), receberemos esses recursos de volta.
Porém, além destas transferências diretas, há uma outra importante porção de recursos públicos que se destina a custear os encargos da dívida pública (os famigerados Juros) que, em 2008, representaram 5,6% do PIB ou 21 dias de trabalho. E, é bom lembrar, que esses 21 dias de suor de cada um de nós destinam-se a manter cheios os bolsos dos 0,5% dos brasileiros que estão sentados no topo da pirâmide - estima-se que cada um desses abençoados recebam aproximadamente R$ 12 mil por mês a título de remuneração dos títulos públicos que mantém em suas carteiras.
Ou seja, retirando tudo que se refere apenas a movimentação de dinheiro entre bolsos privados (transferências diretas + juros), o que resta efetivamente para custear as despesas públicas corresponde apenas a 14,9% do PIB (ou 54 dias de trabalho). É tão somente com esses recursos - chamados de Carga Tributária Líquida - que os três níveis de governo pagam as despesas do SUS, das universidades e escolas públicas, da justiça, da segurança pública, das forças armadas, do legislativo, dos portos, das estradas, do metrô, e tudo mais.
Portanto, se tivessem algum compromisso com a verdade ou um mínimo de responsabilidade com o país, os mídia-ligeira deveriam fazer o seu carnaval com as Associações Comerciais lá pelo dia 23 de fevereiro e podiam inclusive mostrar tudo que se faz com esse tantinho de dias que se destina a custear o nosso setor estatal.
Em suma: de cada 2,5 dias que suamos a camisa para sustentar o governo, suamos um outro para sustentar um punhado de endinheirados que flanam nas asas dos títulos públicos.
Com o que será que devemos nos indignar?
PS: para uma comparação internacional, veja o documento do IPEA clicando aqui.
31.3.11
enfim, o pós-autismo?
Embora a data não inspire comemorações, segue uma análise alvissareira sobre a renovação das idéias econômicas
Por Luiz Nassif
O fim dos "cabeças de planilha"
Na semana passada, o seminário “Repensando a política macroeconômica”, organizada pelo FMI com os economistas David Romer, Joe Stiglitz e Michael Spence e com seu economista-chefe Olivier Blanchard ,decretou oficialmente o fim da era dos “cabeças de planilha” - tipo de analista que contaminou o mercado financeiro nas últimas décadas, com simplificações que desmoralizaram o que se entendia por ciências econômicas.
Munidos de suas planilhas, e com conhecimento insuficiente em política, análise setorial, ciências sociais, psicologia social, e mesmo correlações básicas de economia, esses economistas julgaram ter descoberto o equilíbrio universal, o fim dos riscos sistêmicos. Qualquer questionamento à sua falsa ciência era tratado com superior desprezo.
O encontro promovido pelo FMI é a pá de cal nesse tipo de pensamento cabeção, primário, manipulador, insuficiente.
Um dos princípios era a visão monofásica de que cada instrumento de política econômica deveria visar apenas um objetivo.
Por exemplo, para inflação em alta, aumento das taxas básicas de juros. Esse aumento impactava a dívida pública, apreciava o real, causava desequilíbrio nas contas externas que, mais à frente, provocava uma maxidesvalorização do real que comprometia o próprio combate à inflação.
Pouco importava: juros só devem se preocupar com a inflação.
Às vezes o aquecimento do consumo se dava em um setor específico. A situação poderia se resolver com uma restrição ao financiamento àquele setor. Mas as “boas práticas” diziam que apenas os juros poderiam ser.
Anos atrás, monetaristas brasileiros – da melhor escola de Chicago – alertavam para os erros da política de metas inflacionárias.
Define-se uma meta, mede-se a expectativa dos agentes econômicos. Se estiver acima da meta, aumentam-se os juros. Os monetaristas alertavam que nesse modelo não se levava em conta o excesso de liquidez (de moeda) na economia.
Consequência: esse excesso formou bolhas especulativas por todos os poros do sistema financeiro internacional, resultando na grande crise de 2008.
Esse pensamento manipulador criava um agente financeiro imaginário, racional que por si só seria capaz de coibir qualquer abuso do sistema financeiro internacional, permitindo abrir mão de qualquer regulação. Se uma instituição abusasse, se algum ativo estivesse muito caro, os investidores simplesmente trocariam por outras instituições ou ativos, regulando automaticamente o mercado.
Era uma miragem, como se todo investidor fizesse cálculos complexos, análises de risco, arbitragens.
Nas instituições financeiras, havia cálculos infernais mostrando que quando despencasse a cotação do ativo 1, haveria um aumento na cotação do ativo 2, de tal maneira que aplicando em ambos o risco tenderia a zero.
Imbecis, sem nenhuma noção do que uma crise sistêmica provocava no mercado. Quando sobrevinha a crise, caía o ativo 1. Para cobrir sua posição naquele mercado, o banco vendia o ativo 2, provocando também sua queda e assim por diante.
Havia muito mais erros nessas formulações. Nunca foram combatidos porque criaram uma cadeia improdutiva de juros e especulação.
Só a crise para repor o conhecimento econômico no seu devido lugar
27.3.11
passagens de ônibus: fim da picada ou começo da mordida?
Sabemos todos que as grandes cidades brasileiras estão travando por conta do uso irracional do automóvel particular. O mais grave, contudo, é que sabemos disso há décadas, e continuamos comprando carros, construindo avenidas e viadutos e, sabendo cada vez mais.
Ao longo dessas décadas, enquanto agonizamos encalacrados, pudemos ouvir no radio os analistas econômicos dizerem que o setor público é um péssimo gestor e que subsídios de qualquer natureza devem ser banidos: produzem distorções nos sistemas de preços, dão fôlego a empresas incompetentes e constituem uma via azeitada para a corrupção. Recado: os serviços de utilidade pública devem ser transferidos, na forma de concessão, a empresas privadas e os preços devem ser determinados de acordo com as regras de mercado, isto é, devem cobrir os custos efetivos e ainda garantir uma margem de lucro que seja empregada em novos investimentos e ainda remunere o capital. Simples, cristalino, imune aos desvios morais e ao apetite particularista que caracteriza a alma humana.
Só que o simplismo dos economistas de rádio, o espírito sabujo dos mídia-ligeira, faz questão de esconder que, embora de fácil digestão, as leis de mercado falham tremendamente quando é preciso conciliar interesses de curto e de longo prazo ou quando se trata de definir o preço de um bem público - como é a passagem de ônibus. Exemplos: para a empresa de ônibus, quanto mais cheio o ônibus, maior a rentabilidade - para o cidadão e a cidade, pior; se o ônibus é caro e lotado, o cidadão lutará para conquistar um carrinho - comprando o carro, entupira mais a cidade, elevando o tempo dos trajetos, aumentando o custo para as empresas de ônibus que buscarão aumentar as passagens, dando novo impulso para o cidadão comprar um carro; etc..., etc...
Mas os problemas não são apenas esses. O preço das passagens não pode ser tratado como um custo individual a ser arcado pelo consumidor-cidadão numa relação mercantil com o empresário de ônibus. Custos elevados de transportes resultam em gigantesca e incomensurável ineficiência para o conjunto da sociedade: além da obvia perda de tempo de quem gasta horas do dia encalacrado, recursos que poderiam ser despendidos em outras atividades são sugados pelo realismo tarifário do transporte público.
Um exemplo escandaloso dessa irracionalidade se encontra, por exemplo, no peso dos custos de transportes nos cursos de qualificação profissional. Como sabem bem os mídia-ligeira, há no país uma urgente necessidade de capacitação da mão-de-obra, fato que não só restringe o nosso desenvolvimento, como dificulta o acesso dos mais pobres ao mercado de trabalho, obstruindo a ascensão social. Pois bem, os governos, utilizando recursos que provém da folha de pagamento das empresas, financia, através de diferentes órgãos (MTE, MEC, Sistema S, etc), inúmeros cursos profissionalizantes voltados às populações mais vulneráveis. Com isso, pagam-se professores, materiais didáticos, aluguel de salas de aula, lanches, despesas administrativas e... , em alguns poucos casos, vale-transporte. Quando faltam recursos para o transporte, a evasão nos cursos cresce significativamente, afetando principalmente os que mais precisam. Ficam os remediados, somem os lascados. Quando é pago o vale-transporte, de 30 a 50% dos recursos são empregados na compra das passagens, em detrimento do pagamento a professores e outros recursos pedagógicos.
Alguém haverá de dizer: mas não se pode oferecer desconto nas passagens de ônibus?
Em coro, gestores públicos e privados ecoarão os dogmas ensinados pelos mídia-ligeira, condenando os subsídios, lembrando que o sistema já carrega o peso dos descontos a idosos e estudantes secundaristas. Tudo em nome da eficiência alocativa, da racionalidade microeconômica do mercado de transportes.
Não fosse tão arraigada e difundida esta miopia, faria todo o sentido do mundo arrecadar tributos sobre outras fontes (grandes fortunas, pedágios urbanos, heranças, renda superior a 50 salários-mínimos, movimentação bancária, etc...) e subsidiar as passagens dos transportes coletivos, baixando o seu preço de forma radical. Numa só tacada, desafogaríamos o bolso dos que mais necessitam e reduziríamos a pressão sobre o trânsito das grandes cidades.
Haja ideologia!
Ao longo dessas décadas, enquanto agonizamos encalacrados, pudemos ouvir no radio os analistas econômicos dizerem que o setor público é um péssimo gestor e que subsídios de qualquer natureza devem ser banidos: produzem distorções nos sistemas de preços, dão fôlego a empresas incompetentes e constituem uma via azeitada para a corrupção. Recado: os serviços de utilidade pública devem ser transferidos, na forma de concessão, a empresas privadas e os preços devem ser determinados de acordo com as regras de mercado, isto é, devem cobrir os custos efetivos e ainda garantir uma margem de lucro que seja empregada em novos investimentos e ainda remunere o capital. Simples, cristalino, imune aos desvios morais e ao apetite particularista que caracteriza a alma humana.
Só que o simplismo dos economistas de rádio, o espírito sabujo dos mídia-ligeira, faz questão de esconder que, embora de fácil digestão, as leis de mercado falham tremendamente quando é preciso conciliar interesses de curto e de longo prazo ou quando se trata de definir o preço de um bem público - como é a passagem de ônibus. Exemplos: para a empresa de ônibus, quanto mais cheio o ônibus, maior a rentabilidade - para o cidadão e a cidade, pior; se o ônibus é caro e lotado, o cidadão lutará para conquistar um carrinho - comprando o carro, entupira mais a cidade, elevando o tempo dos trajetos, aumentando o custo para as empresas de ônibus que buscarão aumentar as passagens, dando novo impulso para o cidadão comprar um carro; etc..., etc...
Mas os problemas não são apenas esses. O preço das passagens não pode ser tratado como um custo individual a ser arcado pelo consumidor-cidadão numa relação mercantil com o empresário de ônibus. Custos elevados de transportes resultam em gigantesca e incomensurável ineficiência para o conjunto da sociedade: além da obvia perda de tempo de quem gasta horas do dia encalacrado, recursos que poderiam ser despendidos em outras atividades são sugados pelo realismo tarifário do transporte público.
Um exemplo escandaloso dessa irracionalidade se encontra, por exemplo, no peso dos custos de transportes nos cursos de qualificação profissional. Como sabem bem os mídia-ligeira, há no país uma urgente necessidade de capacitação da mão-de-obra, fato que não só restringe o nosso desenvolvimento, como dificulta o acesso dos mais pobres ao mercado de trabalho, obstruindo a ascensão social. Pois bem, os governos, utilizando recursos que provém da folha de pagamento das empresas, financia, através de diferentes órgãos (MTE, MEC, Sistema S, etc), inúmeros cursos profissionalizantes voltados às populações mais vulneráveis. Com isso, pagam-se professores, materiais didáticos, aluguel de salas de aula, lanches, despesas administrativas e... , em alguns poucos casos, vale-transporte. Quando faltam recursos para o transporte, a evasão nos cursos cresce significativamente, afetando principalmente os que mais precisam. Ficam os remediados, somem os lascados. Quando é pago o vale-transporte, de 30 a 50% dos recursos são empregados na compra das passagens, em detrimento do pagamento a professores e outros recursos pedagógicos.
Alguém haverá de dizer: mas não se pode oferecer desconto nas passagens de ônibus?
Em coro, gestores públicos e privados ecoarão os dogmas ensinados pelos mídia-ligeira, condenando os subsídios, lembrando que o sistema já carrega o peso dos descontos a idosos e estudantes secundaristas. Tudo em nome da eficiência alocativa, da racionalidade microeconômica do mercado de transportes.
Não fosse tão arraigada e difundida esta miopia, faria todo o sentido do mundo arrecadar tributos sobre outras fontes (grandes fortunas, pedágios urbanos, heranças, renda superior a 50 salários-mínimos, movimentação bancária, etc...) e subsidiar as passagens dos transportes coletivos, baixando o seu preço de forma radical. Numa só tacada, desafogaríamos o bolso dos que mais necessitam e reduziríamos a pressão sobre o trânsito das grandes cidades.
Haja ideologia!
9.12.10
combate à pobreza é benção para o sul maravilha
O atual presidente do IPEA, Prof. Márcio Pochmann, escreveu excelente artigo sobre os desafios que estão colocados ao Brasil, num momento em que se abrem possibilidades inéditas de consolidação de nosso desenvolvimento nacional. Trata de questões cruciais, pelo que me atrevo a dizer que é leitura obrigatória para quem se interessa pelo assunto (clique aqui para ler )
Contudo, destaco abaixo um trecho do texto, que não se refere especificamente à questão do desenvolvimento, mas que trata da destinação dos recursos da seguridade social no Brasil.
Como lamentavelmente assistimos durante a campanha eleitoral que recém terminou, o bom momento que vive o nordeste brasileiro fez arder os humores das gentes reacionárias que se aboletam no chamado sul maravilha. A grande transformação econômica e social que se verifica no nordeste do país, promovida por um conjunto de iniciativas do governo Lula - e que garantiram enorme votação à candidata governista na região - foi tratada pelos portavozes do sul/sudeste como se tivesse ocorrido em detrimento do desenvolvimento das demais regiões do país. Não foram poucos os gritos e muito mais numerosos os ecos que alardearam a drenagem de recursos do sul/sudeste para o norte/nordeste. Junto com a retórica econômica, difundiram-se ainda preconceitos que sugeriam uma disputa entre um sul moderno e dinâmico versus um nordeste atrasado e letárgico.
Quanta bobagem e que ignorância imperdoável que essa gente ilustrada de Higienópolis e adjacências carrega na papada!
Como bem mostra o artigo do Pochmann (e a economista Tânia Bacelar também tratou do assunto, sob outra perspectiva - leia aqui) os dinheiros fáceis que supostamente sustentam a bonomia e dão vida longa ao atraso são destinados na sua gigantesca porção - pasmem - ao rico sul maravilha. Nada menos do que 1 em cada 4 reais que são pagos a título de seguridade social (previdência + assistência social) vão para os bolsos de paulistas!
Vejam o que os números citados pelo presidente do IPEA nos contam:
"as famílias pertencentes aos estados mais ricos da Federação absorvem a maior parte do fundo público comprometido com transferências monetárias. Assim, a região Sudeste consome 50% do total dos recursos anualmente comprometidos com as transferências previdenciárias e assistenciais da seguridade social, dos quais 23,5% vão para São Paulo, 13,7% para o Rio de Janeiro e 10,9% para Minas Gerais. A descoberta dessas novidades no interior da dinâmica econômica brasileira atual impõe a reavaliação da eficácia dos velhos pressupostos da política macroeconomia tradicional. A economia social sustenta, hoje, parcela significativa do comportamento geral da demanda agregada nacional, além de garantir a considerável elevação do padrão de vida dos brasileiros, sobretudo daqueles situados na base da pirâmide social"
Pois, que se calem os ignorantes, destas terras bandeirantes!
Contudo, destaco abaixo um trecho do texto, que não se refere especificamente à questão do desenvolvimento, mas que trata da destinação dos recursos da seguridade social no Brasil.
Como lamentavelmente assistimos durante a campanha eleitoral que recém terminou, o bom momento que vive o nordeste brasileiro fez arder os humores das gentes reacionárias que se aboletam no chamado sul maravilha. A grande transformação econômica e social que se verifica no nordeste do país, promovida por um conjunto de iniciativas do governo Lula - e que garantiram enorme votação à candidata governista na região - foi tratada pelos portavozes do sul/sudeste como se tivesse ocorrido em detrimento do desenvolvimento das demais regiões do país. Não foram poucos os gritos e muito mais numerosos os ecos que alardearam a drenagem de recursos do sul/sudeste para o norte/nordeste. Junto com a retórica econômica, difundiram-se ainda preconceitos que sugeriam uma disputa entre um sul moderno e dinâmico versus um nordeste atrasado e letárgico.
Quanta bobagem e que ignorância imperdoável que essa gente ilustrada de Higienópolis e adjacências carrega na papada!
Como bem mostra o artigo do Pochmann (e a economista Tânia Bacelar também tratou do assunto, sob outra perspectiva - leia aqui) os dinheiros fáceis que supostamente sustentam a bonomia e dão vida longa ao atraso são destinados na sua gigantesca porção - pasmem - ao rico sul maravilha. Nada menos do que 1 em cada 4 reais que são pagos a título de seguridade social (previdência + assistência social) vão para os bolsos de paulistas!
Vejam o que os números citados pelo presidente do IPEA nos contam:
"as famílias pertencentes aos estados mais ricos da Federação absorvem a maior parte do fundo público comprometido com transferências monetárias. Assim, a região Sudeste consome 50% do total dos recursos anualmente comprometidos com as transferências previdenciárias e assistenciais da seguridade social, dos quais 23,5% vão para São Paulo, 13,7% para o Rio de Janeiro e 10,9% para Minas Gerais. A descoberta dessas novidades no interior da dinâmica econômica brasileira atual impõe a reavaliação da eficácia dos velhos pressupostos da política macroeconomia tradicional. A economia social sustenta, hoje, parcela significativa do comportamento geral da demanda agregada nacional, além de garantir a considerável elevação do padrão de vida dos brasileiros, sobretudo daqueles situados na base da pirâmide social"
Pois, que se calem os ignorantes, destas terras bandeirantes!
3.12.10
com bola murcha, meirelles acerta
Mais do que oportunas as medidas anunciadas hoje pelo Banco Central. Aliás, tardias.
Ao ampliar o compulsório bancário (ou seja, restringir o uso dos depósitos bancários como capital para empréstimos) o BC reduz a necessidade de elevação dos juros oficiais (taxa Selic) no futuro.
É de se lamentar apenas a maneira safada que a imprensa trata do assunto. O Estadão, por exemplo, deu a seguinte manchete: "BC diz que juro ao consumidor pode subir", quando deveria esclarecer que, ao reduzir a disponibilidade de crédito para o consumo, através do aumento do compulsório, o governo está abrindo a possibilidade de reduzir a taxa de juros dos títulos públicos.
Alguém poderá argumentar que não há diferença substancial entre subir a Selic e ampliar o compulsório, já que ambas as medidas visam frear o consumo e assim reduzir a pressão inflacionária. Mas, essa é apenas meia parte da história. O fundamental a ser dito é que, ao optar pelo uso do compulsório (constrição quantitativa), o governo abre a possibilidade de enfrentar a inflação sem provocar valorização do câmbio. E sabemos bem que essa relação selic-câmbio é hoje a mais grave ameaça à economia brasileira. Com a selic alta, atraímos capitais estrangeiros, valorizamos o real, perdemos exportações, ampliamos importações e, no final das contas, reduzimos o nível de emprego e a renda no país.
Claro que os jornalões, os mídia-ligeira e seus mais importantes patrocinadores (os bancos) vão gritar e fazer o possível para apresentar a solução anunciada hoje como indesejável e prejudicial para o público. A via do compulsório bancário reduz a amplitude dos capitais administrados pelos bancos e, com isso, diminuem seus lucros. Para o mercado financeiro, é sempre muito mais interessante que o governo lhes reduza o compulsório e cuide de frear o consumo via aumento da taxa selic. Com isso, mesmo que percam clientes na ponta do crédito, podem direcionar o "excesso de capital" para os títulos públicos e faturar numa nice o juros pagos pelo governo. O problema é que, como não podem contar essa história de forma clara, resta-lhes tergiversar e confundir o público.
Nossa sorte é que, a essa altura do campeonato, é só isso que lhes resta.
Ao ampliar o compulsório bancário (ou seja, restringir o uso dos depósitos bancários como capital para empréstimos) o BC reduz a necessidade de elevação dos juros oficiais (taxa Selic) no futuro.
É de se lamentar apenas a maneira safada que a imprensa trata do assunto. O Estadão, por exemplo, deu a seguinte manchete: "BC diz que juro ao consumidor pode subir", quando deveria esclarecer que, ao reduzir a disponibilidade de crédito para o consumo, através do aumento do compulsório, o governo está abrindo a possibilidade de reduzir a taxa de juros dos títulos públicos.
Alguém poderá argumentar que não há diferença substancial entre subir a Selic e ampliar o compulsório, já que ambas as medidas visam frear o consumo e assim reduzir a pressão inflacionária. Mas, essa é apenas meia parte da história. O fundamental a ser dito é que, ao optar pelo uso do compulsório (constrição quantitativa), o governo abre a possibilidade de enfrentar a inflação sem provocar valorização do câmbio. E sabemos bem que essa relação selic-câmbio é hoje a mais grave ameaça à economia brasileira. Com a selic alta, atraímos capitais estrangeiros, valorizamos o real, perdemos exportações, ampliamos importações e, no final das contas, reduzimos o nível de emprego e a renda no país.
Claro que os jornalões, os mídia-ligeira e seus mais importantes patrocinadores (os bancos) vão gritar e fazer o possível para apresentar a solução anunciada hoje como indesejável e prejudicial para o público. A via do compulsório bancário reduz a amplitude dos capitais administrados pelos bancos e, com isso, diminuem seus lucros. Para o mercado financeiro, é sempre muito mais interessante que o governo lhes reduza o compulsório e cuide de frear o consumo via aumento da taxa selic. Com isso, mesmo que percam clientes na ponta do crédito, podem direcionar o "excesso de capital" para os títulos públicos e faturar numa nice o juros pagos pelo governo. O problema é que, como não podem contar essa história de forma clara, resta-lhes tergiversar e confundir o público.
Nossa sorte é que, a essa altura do campeonato, é só isso que lhes resta.
22.10.10
o atentado desceu o serra
O ridículo atentado de papel e fita crepe que vitimou o candidato tucano - assunto pra lá de besta - já foi escarafunchado e desmontado em todos os seus aspectos.
Hoje, dois textos divulgados na internet enterram de vez o assunto.
1º) O jornal a Hora do Povo informa que, ao contrário do divulgado no JN, Globo, Folha e Estadão, a confusão começou porque Serra e seus gladiadores decidiram passar justamente em frente ao sindicato dos tais "mata-mosquitos". Para quem não sabe, "mata-mosquito" é o apelido que se dá aos agentes de combate à dengue, que foram demitidos em massa (5 mil) quando o Serra era Ministro da Saúde (veja matéria do HP aqui). Obviamente, quando lá chegaram, encontraram os perigosos exterminadores de aedes-aegypti armados com faixas e cartazes de protesto. Em legítima defesa, os gladiadores que acompanhavam Serra e seu Índio partiram para a porrada e acabaram sendo vitimados pelos famosos artefatos de papel e fita-crepe.
2º) A fita-crepe, materializada em rede nacional pelo perito Molina, não parece ter existido de fato. Conforme demonstra o comedor de criancinhas Leandro Arndt (veja aqui), quando as imagens do suposto atentado com rolo de fita-crepe são analisadas quadro-a-quadro, fica evidente que o "objeto circular e transparente" enxergado pela Folha era a ponta da cabeça de um sujeito que caminhava ao lado do Serra.
Agora, a única dúvida que resta - e que tem potencial de trazer uma reviravolta ao caso - é a identidade do tal sujeito que se escondia mal e porcamente atrás da cabeça lisa do Serra. Seria uma agente da Kaos?
Zé fini!
Hoje, dois textos divulgados na internet enterram de vez o assunto.
1º) O jornal a Hora do Povo informa que, ao contrário do divulgado no JN, Globo, Folha e Estadão, a confusão começou porque Serra e seus gladiadores decidiram passar justamente em frente ao sindicato dos tais "mata-mosquitos". Para quem não sabe, "mata-mosquito" é o apelido que se dá aos agentes de combate à dengue, que foram demitidos em massa (5 mil) quando o Serra era Ministro da Saúde (veja matéria do HP aqui). Obviamente, quando lá chegaram, encontraram os perigosos exterminadores de aedes-aegypti armados com faixas e cartazes de protesto. Em legítima defesa, os gladiadores que acompanhavam Serra e seu Índio partiram para a porrada e acabaram sendo vitimados pelos famosos artefatos de papel e fita-crepe.
2º) A fita-crepe, materializada em rede nacional pelo perito Molina, não parece ter existido de fato. Conforme demonstra o comedor de criancinhas Leandro Arndt (veja aqui), quando as imagens do suposto atentado com rolo de fita-crepe são analisadas quadro-a-quadro, fica evidente que o "objeto circular e transparente" enxergado pela Folha era a ponta da cabeça de um sujeito que caminhava ao lado do Serra.
Agora, a única dúvida que resta - e que tem potencial de trazer uma reviravolta ao caso - é a identidade do tal sujeito que se escondia mal e porcamente atrás da cabeça lisa do Serra. Seria uma agente da Kaos?
Zé fini!
29.9.10
datafolha de calça curta
Com a divulgação da pesquisa do Ibope para presidente da república, confirmou-se o cenário que vem sendo apontado pelo tracking do Vox Populi, ou seja, a provável vitória de Dilma (PT) no primeiro turno. Enquanto a candidata governista aparece com 50%, a soma dos demais alcança apenas 41% , portanto uma diferença (9%) ligeiramente inferior aos 12% apontados pelo Vox Populi.
Contudo, mais do que os números em si, o que a pesquisa Ibope revela de mais importante é a sistemática miopia do Datafolha, que, de tão sistemática, joga por terra o que restava de credibilidade do instituto de pesquisas da Famiglia Frias. Como foi amplamente divulgado pelos mídia-ligeira, o Datafolha sugeria que Dilma tinha apenas 2% a mais do que a soma dos demais candidatos e que, portanto, estaríamos com um pé e meio no segundo turno.
Mentiram. E, junto com o seu candidato, não deixarão saudades.
ET: para uma rápida explicação do "martelinho de ouro" usado pelo Datafolha, leia aqui a ótima cartilha "A Escolinha do Prof. Tavinho" elaborada pelo Tijolaço
Contudo, mais do que os números em si, o que a pesquisa Ibope revela de mais importante é a sistemática miopia do Datafolha, que, de tão sistemática, joga por terra o que restava de credibilidade do instituto de pesquisas da Famiglia Frias. Como foi amplamente divulgado pelos mídia-ligeira, o Datafolha sugeria que Dilma tinha apenas 2% a mais do que a soma dos demais candidatos e que, portanto, estaríamos com um pé e meio no segundo turno.
Mentiram. E, junto com o seu candidato, não deixarão saudades.
ET: para uma rápida explicação do "martelinho de ouro" usado pelo Datafolha, leia aqui a ótima cartilha "A Escolinha do Prof. Tavinho" elaborada pelo Tijolaço
17.9.10
entropia golpista
Brilhante o artigo de Mino Carta, na Carta Capital, refletindo sobre a ensandecida grita da midia-ligeira e seus suspiros golpistas.
"Somos otimistas. Acreditamos que a gestão Lula e Dilma precipitará finalmente o surgimento de uma oposição não golpista, ao contrário da atual, golpistas até a medula, a mesma que, com iguais propósitos, foi situação. Das cinzas do desastre tucano nascerá, esta a aposta, um avanço democrático decisivo. Lula, com seus dois mandatos, é o elemento fatal do enredo, acima e além de alguns méritos do seu governo. O Brasil precisa superar, agora, e superará, uma quadra que ainda o viu tolhido pela presença do partido do golpe, entendido como garantia do privilégio e sustentado pela mídia, seu braço direito e porta-voz.
CartaCapital percebe os sinais, nem tão tímidos, da mudança em andamento. Concordamos com José Dirceu quando defende a liberdade de imprensa. Mas a questão é outra: esta mídia é visceralmente antidemocrática, embora nem por isso deva ser coibida. Está a ser punida, aliás, e de outra maneira: prova-se, já há algum tempo, que não alcança o público na sua maioria. Tal é a nossa convicção, a mudança se dará naturalmente. E por este trilho, a mídia nativa vai perder o emprego."
Leia aqui o artigo na integra.
E pra embalar o presta-atenção, a letra da música Estatuto da Gafieira, sugerida pelo Carlos 220 Paulo:
Estatuto da gafieira
(Billy Blanco)
Moço
Olha o vexame
O ambiente exige respeito
Pelos estatutos
Da nossa gafieira
Dance a noite inteira
Mas dance direito
Aliás
Pelo artigo 120
O distinto que fizer o seguinte:
Subir na parede
Dançar de pé pro ar
Debruçar-se na bebida sem querer pagar
Abusar da umbigada
De maneira folgazã
Prejudicando hoje
O bom crioulo de amanhã
Será distintamente censurado
Se balançar o corpo
Vai pra mão do delegado
Ta bem, moço?
Olha o vexame, moço!
E pra embalar o presta-atenção, a letra da música Estatuto da Gafieira, sugerida pelo Carlos 220 Paulo:
Estatuto da gafieira
(Billy Blanco)
Moço
Olha o vexame
O ambiente exige respeito
Pelos estatutos
Da nossa gafieira
Dance a noite inteira
Mas dance direito
Aliás
Pelo artigo 120
O distinto que fizer o seguinte:
Subir na parede
Dançar de pé pro ar
Debruçar-se na bebida sem querer pagar
Abusar da umbigada
De maneira folgazã
Prejudicando hoje
O bom crioulo de amanhã
Será distintamente censurado
Se balançar o corpo
Vai pra mão do delegado
Ta bem, moço?
Olha o vexame, moço!
14.9.10
erenice como se deve
Em nota oficial à imprensa (que reprodo abaixo), a Ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, responde com indignação e contundência à estratégia golpista e infame que José Serra e seus aliados da mídia têm adotado, enquanto rastejam até 3 de outubro.
O jogo tucano anda tão rasteiro que fica mesmo difícil de entender onde pretendem chegar. Como bem tratou Jânio de Freitas em seu artigo de hoje na FSP, o risco - para a própria oposição - é exagerar no ímpeto denuncista e terminarem santificando a Dilma, reforçando a imagem de sua idoneidade, de alguém que não tem como ser atingida moralmente.
A indignação de Erenice, portanto, além de justa, expressa bem o puxão de orelha que Serra e seus emplumados aliados merecem. A manipulação dos fatos, com a mão pesada da velha mídia e do dinheiro fácil, é antidemocrática, leviana, e extremamente ofensiva, pois julga estúpida e boçal a gente desse país. Por conta dessa cegueira quadricentenária, congênita, parecem condenados a sangrar ao rés do chão.
Que seja!
Que seja!
14/09/2010 - NOTA À IMPRENSA
1. Encaminhei aos Ministros Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União, e Luiz Paulo Teles, da Justiça, ofícios em que solicito que se procedam todas as investigações necessárias no sentido de apurar rigorosamente os fatos relatados em matéria publicada pela revista Veja, em sua edição mais recente, e que envolvem tanto minha conduta administrativa quanto a de familiares meus.
2. Espero celeridade e creio na exação e competência das autoridades às quais solicitei tais apurações.
3. Reafirmo ser fundamental defender-me de forma aberta e transparente das mentiras assacadas pela revista Veja. E assim o faço diante daquela que já é a mais desmentida e desmoralizada das matérias publicadas ao longo da história da imprensa brasileira.
4. Lamento, sinceramente, que por conta da exploração político-eleitoral, mais que distorcer ou inventar fatos, se invista contra a honra alheia sem o menor pudor, sem qualquer respeito humano ou, no mínimo, com a total ausência de qualquer critério profissional ou ética jornalística.
5. Chamo a atenção do Brasil para a impressionante e indisfarçável campanha de difamação que se inicia contra minha pessoa, minha vida e minha família, sem nada poupar, apenas em favor de um candidato aético e já derrotado, em tentativa desesperada da criação de um "fato novo" que anime aqueles a quem o povo brasileiro tem rejeitado.
6. Pois o fato novo está criado e diante dos olhos da Nação: é minha disposição inabalável de enfrentar a mentira com a força da verdade e resoluta fé na Justiça de meu país, sem medo e sem ódio.
Erenice Guerra
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República
14 de setembro de 2010
1. Encaminhei aos Ministros Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União, e Luiz Paulo Teles, da Justiça, ofícios em que solicito que se procedam todas as investigações necessárias no sentido de apurar rigorosamente os fatos relatados em matéria publicada pela revista Veja, em sua edição mais recente, e que envolvem tanto minha conduta administrativa quanto a de familiares meus.
2. Espero celeridade e creio na exação e competência das autoridades às quais solicitei tais apurações.
3. Reafirmo ser fundamental defender-me de forma aberta e transparente das mentiras assacadas pela revista Veja. E assim o faço diante daquela que já é a mais desmentida e desmoralizada das matérias publicadas ao longo da história da imprensa brasileira.
4. Lamento, sinceramente, que por conta da exploração político-eleitoral, mais que distorcer ou inventar fatos, se invista contra a honra alheia sem o menor pudor, sem qualquer respeito humano ou, no mínimo, com a total ausência de qualquer critério profissional ou ética jornalística.
5. Chamo a atenção do Brasil para a impressionante e indisfarçável campanha de difamação que se inicia contra minha pessoa, minha vida e minha família, sem nada poupar, apenas em favor de um candidato aético e já derrotado, em tentativa desesperada da criação de um "fato novo" que anime aqueles a quem o povo brasileiro tem rejeitado.
6. Pois o fato novo está criado e diante dos olhos da Nação: é minha disposição inabalável de enfrentar a mentira com a força da verdade e resoluta fé na Justiça de meu país, sem medo e sem ódio.
Erenice Guerra
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República
14 de setembro de 2010
7.9.10
o pac do Obama
Depois de tergiversar durante um ano e meio de governo, o Presidente Obama parece ter se dado conta de que garantir solvência e liquidez a bancos e instituições financeiras é condição necessária, mas não suficiente para fazer andar a economia dos EUA. Com o setor produtivo em ritmo de espera - preferindo a liquidez -a solução encontrada foi apresentar um plano de investimentos em obras de infraestrutura que ajude não só a despertar o apetite dos reticentes capitalistas norte-americanos, como seja capaz de absorver parte dos desempregados que se multiplicam no país, roçando a taxa de 10% da PEA. Conforme noticiado (leia aqui), serão 50 bilhões de dólares para estradas, aeroportos, ferrovias... Uma espécie de PAC, bem mais tímido do que a versão tocada pela dupla Lula-Dilma, que destinou investimentos superiores a 500 bilhões de reais para um período de 4 anos. Além disso, o plano de Obama propõe também a criação de um banco capaz de financiar projetos de infraestrutura (seria uma espécie de BNDES?!? Para desespero dos mercadistas e dos mídia-ligeira que nos apurrinham nestas terras em que gorjeiam os sabiás).
Trata-se, certamente, passos importantes, pois apontam para um pouco mais de ousadia do Presidente Obama. Entretanto, dadas as dimensões da economia dos EUA (mais de oito vezes a economia brasileira), esse orçamento de 50 bilhões provavelmente não será suficiente para recuperar por completo a saúde do gigante. Porém, assim como aqui, nada impede que mais adiante outras doses do tônico keynesiano lhe sejam ministradas.
Trata-se, certamente, passos importantes, pois apontam para um pouco mais de ousadia do Presidente Obama. Entretanto, dadas as dimensões da economia dos EUA (mais de oito vezes a economia brasileira), esse orçamento de 50 bilhões provavelmente não será suficiente para recuperar por completo a saúde do gigante. Porém, assim como aqui, nada impede que mais adiante outras doses do tônico keynesiano lhe sejam ministradas.
18.8.10
banco público dará R$ 137 milhões ao grupo folha
Obviamente, uma manchete como essa acima induziria quem a topa pela frente a imaginar que se trata de uma operação suspeita de desfalque de dinheiro público e favorecimento a compadres do poder.
Pois, é assim que o UOL, do grupo Folha da Manhã (da paulistana família Frias), trata os empréstimos realizados pelo BNDES em tempos de Lula. Diz que o BNDES dará dinheiro para o empresário Eike Batista.
Eita povinho apequenado. Nesses termos, o BNDES não faz outra coisa senão dar dinheiro por aí. Inclusive à Folha, para montar seu parque gráfico, à Globo, para saneá-la das aventuras da NET, e à quase totalidade das grandes empresas do país.
Banco de desenvolvimento é isso: financia investimentos de grande porte e longa maturação, para os quais os bancos privados se fazem de mortos. Ou seja, ou avançamos com ele, ou não avançamos.
Além disso, é bom lembrar, que foi graças à grande envergadura do BNDES que o Brasil atravessou com relativa tranquilidade a turbulência financeira de 2008.
Mas, a hora é de malhar, e tome ripa no BNDES.
ET: às 10:10hs o UOL substituiu a manchete. Diz agora: "Eike terá R$ 147 milhões do BNDES para hotel para a Copa".
Pois, é assim que o UOL, do grupo Folha da Manhã (da paulistana família Frias), trata os empréstimos realizados pelo BNDES em tempos de Lula. Diz que o BNDES dará dinheiro para o empresário Eike Batista.
Eita povinho apequenado. Nesses termos, o BNDES não faz outra coisa senão dar dinheiro por aí. Inclusive à Folha, para montar seu parque gráfico, à Globo, para saneá-la das aventuras da NET, e à quase totalidade das grandes empresas do país.
Banco de desenvolvimento é isso: financia investimentos de grande porte e longa maturação, para os quais os bancos privados se fazem de mortos. Ou seja, ou avançamos com ele, ou não avançamos.
Além disso, é bom lembrar, que foi graças à grande envergadura do BNDES que o Brasil atravessou com relativa tranquilidade a turbulência financeira de 2008.
Mas, a hora é de malhar, e tome ripa no BNDES.
ET: às 10:10hs o UOL substituiu a manchete. Diz agora: "Eike terá R$ 147 milhões do BNDES para hotel para a Copa".
30.7.10
pé na bunda do teixeira
Desde que mergulhei na Copa, tenho encontrado dificuldades para emergir e retomar os posts. Suspeito que um dos motivos da hibernação é o clima político demasiado esgarçado dessa estranha temporada eleitoral.
Explico-me: os midialigeira, que outrora eu grafava com hífen e que serviram de combustível para fazer nascer este blog, andam tão safados, tão desesperadamente raivosos com a provável vitória de Dilma e suas implicações políticas e econômicas, que não dá nem para se envolver com o assunto. Por que intoxicar o que resta de fígado numa causa - ideológica - já ganha?
O melhor é manter uma distância regulamentar do nheco-nheco eleitoral e resguardar o fígado para assuntos mais instigantes. Por exemplo, o movimento Tira Teixeira.
Estou nessa! (vejam o link na barra lateral com o twitter do movimento)
De fato, é difícil aceitar que o sujeito permaneça tantos anos sentado na cúspide do futebol brasileiro, tal qual um sapo glutão, sugando de canudinho e digerindo com infinita paciência a alma e o toque de bola dos craques que por aqui gorjeiam. Vá de retro!
Tá mais do que na hora de acabar com essa estrutura oligarca de nosso futebol. A despeito de ser um assunto da órbita privada, é também uma coisa pública, compartilhada por quase todos e que, como poucas coisas dessa vida, toca fundo nas paixões de cada um.
Não é possível que o cara vá à sua TV amiga e declare em primeira pessoa que está pensando em um técnico assim ou assado! Como assim, "eu estou pensando"? É DO NOSSO FUTEBOL QUE SE TRATA!
Portanto, Tira Teixeira! Mas, com uma ressalva: Pé na Bunda do Teixeira!
O sujeito não merece esse respeito todo.
Explico-me: os midialigeira, que outrora eu grafava com hífen e que serviram de combustível para fazer nascer este blog, andam tão safados, tão desesperadamente raivosos com a provável vitória de Dilma e suas implicações políticas e econômicas, que não dá nem para se envolver com o assunto. Por que intoxicar o que resta de fígado numa causa - ideológica - já ganha?
O melhor é manter uma distância regulamentar do nheco-nheco eleitoral e resguardar o fígado para assuntos mais instigantes. Por exemplo, o movimento Tira Teixeira.
Estou nessa! (vejam o link na barra lateral com o twitter do movimento)
De fato, é difícil aceitar que o sujeito permaneça tantos anos sentado na cúspide do futebol brasileiro, tal qual um sapo glutão, sugando de canudinho e digerindo com infinita paciência a alma e o toque de bola dos craques que por aqui gorjeiam. Vá de retro!
Tá mais do que na hora de acabar com essa estrutura oligarca de nosso futebol. A despeito de ser um assunto da órbita privada, é também uma coisa pública, compartilhada por quase todos e que, como poucas coisas dessa vida, toca fundo nas paixões de cada um.
Não é possível que o cara vá à sua TV amiga e declare em primeira pessoa que está pensando em um técnico assim ou assado! Como assim, "eu estou pensando"? É DO NOSSO FUTEBOL QUE SE TRATA!
Portanto, Tira Teixeira! Mas, com uma ressalva: Pé na Bunda do Teixeira!
O sujeito não merece esse respeito todo.
5.6.10
por um caminhão de razões
Do blog Universidade Para Quem?
PS: Sobre o tema "Imprensa e liberdade de expressão", aproveito para recomendar a leitura de um manifesto escrito por Idelber Avelar no bom site Sul21
25.5.10
urticária nos mídia-ligeira
Desde quarta passada resisti a colocar o link para o pavoroso e intolerável comentário do Arnaldo Jabor na CBN. Trata-se do exemplo mais grotesco das distorções produzidas pelo que se chama de "liberdade de expressão" em meio à acentuada concentração dos meios de comunicação em mãos privadas.
(clique aqui para escutar o sujeito)
Por sí, pela inversão de sentidos, pelo falseamento da realidade, pela sabujisse, pela falta de decorro, pelo patente desrespeito aos interesses nacionais, o comentário do Arnaldo Jabor, expoente do Instituto Millenium, é peça suficiente para alertar a todos que prezam pela democracia e pelo bem do país da urgente necessidade de reformulação das regras de concessão de mídia.
E a barbaridade fica ainda mais gritante quando contrastada com a evolução dos fatos, como por exemplo o editorial de hoje do Le Monde (clique aqui) que rasga uma seda fenomenal a Lula e seu protagonismo na geopolítica internacional e, principalmente, ante o artigo escrito pelo ex-vice-presidente do Conselho de Inteligência da CIA, publicado no Estado de São Paulo de hoje (leia aqui), tratando do episódio como um marco no processo de decadência da hegemonia norte-americana.
(clique aqui para escutar o sujeito)
Por sí, pela inversão de sentidos, pelo falseamento da realidade, pela sabujisse, pela falta de decorro, pelo patente desrespeito aos interesses nacionais, o comentário do Arnaldo Jabor, expoente do Instituto Millenium, é peça suficiente para alertar a todos que prezam pela democracia e pelo bem do país da urgente necessidade de reformulação das regras de concessão de mídia.
E a barbaridade fica ainda mais gritante quando contrastada com a evolução dos fatos, como por exemplo o editorial de hoje do Le Monde (clique aqui) que rasga uma seda fenomenal a Lula e seu protagonismo na geopolítica internacional e, principalmente, ante o artigo escrito pelo ex-vice-presidente do Conselho de Inteligência da CIA, publicado no Estado de São Paulo de hoje (leia aqui), tratando do episódio como um marco no processo de decadência da hegemonia norte-americana.
10.3.10
a retalização e o canto dos safados
Curiosa a reação da mídia e de um tanto de oportunistas ante a decisão do governo de retalhar os EUA por conta dos subsídios ao algodão que se planta por lá.
Nas manchetes de jornais, no falatório das rádios que tocam notícias ou nas matérias na televisão, o que foi explorado foi o possível aumento de preços decorrente da anunciada elevação da tarifa de importação de alguns produtos norte-americanos.
- O pão vai subir! Os equipamentos eletrônicos vão disparar! Um repique inflacionário poderá ocorrer! Logo, os juros devem aumentar.
Que palhaçada! Que argumentação vagabunda!
Vejamos o caso do trigo. O Brasil hoje já produz 60% do trigo consumido no país e do 40% importado, apenas uma pequena parte vem dos EUA (5%). Além disso, com a nova tarifa, o que deverá ocorrer é a substituição do trigo dos EUA pelo trigo de outra paragem, como por exemplo, do Canada. Resultado: o impacto sobre o preço do pãozinho é ZERO! O único efeito esperado do aumento tarifário recaíra sobre os produtores dos EUA que deixarão de vender ao Brasil.
O mesmo raciocínio se aplica a quase todos os outros produtos listados pelo governo brasileiro, sujeitos à elevação de tarifas.
Mas, o que mais impressiona no tom azedo da imprensa sobre esse assunto é o nítido desconforto provocado em suas almas cosmopolitas por qualquer ação que confronte os interesses norte-americanos.
Êta mundinho rastaquera.
(imagem: Filipa Sottomayor)
23.2.10
supra-sumo do pega-pra-capa
Hoje é dia de comemorar o aniversário do Seo Nivaldo, meu pai.
Faço-o, sugerindo a leitura de um artigo notável escrito por ele, comentando a "selvageria" das redações de jornais brasileiros.
O curioso da história é que, embora o artigo tenha sido escrito e publicado originalmente a doze anos atrás, foi republicado na semana passada no Blog do Nassif - por iniciativa de um leitor - sem que ninguém se desse conta da atualidade do "velho" tema.
29.12.09
o escândalo que não escandaliza
Nas festas de fim de ano, com a barriga estufada de perus, leitões, castanhas e muito mais, são recorrentes as seções de comentários lamentosos sobre a "putaria" que é esse país. O Sarney, o congresso, o Lula, o dedo do Lula,... tudo vale nesse exercício anual de cultivo a nosso espírirto de vira-latas, regado com boas doses de ressentimento.
Para as crianças que assistem do sofá, deve parecer que habitam a terra da sacanagem suprema: onde os homens de bem labutam e as ratazanas da política devoram os frutos do esforço alheio.
E talvez tenham razão, exceto pela natureza das ratazanas.
Conforme revela um estudo elaborado pela FIESP - e noticiado apenas pelo Jornal de Brasília em nota de nove linhas - somos o país em que se paga o maior spread bancário do mundo! É aqui, nesta terra de vira-latas, que se gasta com galhardia e altivez R$ 261 bilhões anuais para remunerar os bancos pelas suas operações de intermediação financeira (captar aplicações e conceder empréstimos).
Que me perdoem os udenistas, mas esta é a mais abjeta expressão da bonomia nacional. Cerca de 10% do nosso PIB é capturado pelos bancos em operação que aos olhos da grande maioria da nação é legítima e moralmente aceitável.
O mesmo estudo informa ainda que, caso fosse aplicado no país um nível de spread correspondente ao da média mundial, essa despesa deveria cair para R$ 71 bilhões (cerca de 1/4 da atual).
Se lembrarmos que o SUS custa ao governo cerca de 100 bilhões anuais ou que os investimentos públicos em infraestrutura (estradas, portos, saneamento, etc...) não chegam a 2% do PIB, como explicar o aperreio midiático com as despesas milionárias e inaceitáveis da mesa diretora do Senado e o silêncio sobre o manjar dos bancos?
Que falem os vira-latas!
6.6.09
folha de são paulo, cuidado!
Tal qual um avião em queda livre, a Folha de São Paulo parece ter perdido completamente o senso, e tudo indica que deixará esvair o que lhe resta de credibilidade.
Associada à banda anti-Lula, a FSP tem escorregado em diversos episódios recentes, deixando entrever não só os seus interesses e simpatias, mas, principalmente, escancarando a baixa qualidade jornalística de sua batuta editorial - o que lhe custará muito mais caro do que a democrática oposição a Lula.
Entre os últimos deslizes, cito: o revisionismo da "ditadura/branda"; a publicação de uma falsa ficha criminal da Ministra Dilma Rousseff, onde era tachada de terrorista; a publicação - editada a marteladas - de uma entrevista com um colega de militância de Dilma, sugerindo que ela teria feito parte de um plano para sequestrar o Delfim Netto; e, agora, a acusação de que a Petrobrás manteria um contrato de 16 milhões com a ONG MBC (Movimento Brasil Competitivo), que tem entre seus conselheiros o presidente da Petrobrás e, de novo, a Ministra Dilma.
Ora, ora, ora!!!! A ONG é fruto de um esforço do Jorge Gerdau para promover programas de melhorias de qualidade e gestão, tanto no setor público como no privado. Para tanto, o ilustre empresário criou a ONG em 2001, com representantes de 64 instituições de renome no Brasil (Votorantim, Natura, Fiat e,...Petrobrás) e desde então diversos Governos de Estado, Municípios e empresas privadas têm contado com o apoio da ONG. Boa iniciativa?
Claro. Louvável, mais do que necessária.
Mas, na pressa e com sede para desmoralizar o governo Lula, sua ministra candidata e a sua estrela estatal, enxergaram chifre em cabeça de cavalo, o que bastou para a manchete com ares de denúncia bombástica na edição de ontem (06/06).
Pronto, mesmo que algum ajuste ou desmentido se faça necessário nos próximos dias, o estrago está feito. Missão cumprida.
Só que a FSP não contava com a cartada da Petrobrás. Astutamente, a estatal criou um blog (chamado Fatos e Dados) onde publica o conteúdo completo das mensagens trocadas entre a reportagem da FSP e a assessoria de imprensa da empresa, explicitando a manipulação chinfrim das informações pelo jornal.
Com elegância e transparência, a Petrobrás virou o jogo, e foi a Folha quem saiu devidamente tosquiada.
Graças à internet e as suas mil maneiras de trocar informações, dispomos de novas armas para lutar a guerra da informação. Aos poucos, vamos aprendendo a minar os muros do dito "quarto poder" que, nas últimas décadas, cresceu de maneira desmesurada, ameaçando a nossa ainda jejuna democracia.
Olé!!!!!
(clique aqui para ler resposta do Movimento Brasil Competitivo à FSP)
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