Porreta a iniciativa das jornalistas Marina Amaral, Natália Viana e Tatiana Merlino (todas ex-Caros Amigos) que botaram no ar a página "A Pública", nada menos que uma promissora "Agência de Reportagens e Jornalismo Investigativo".
De saída, 50 traulitada produzidas a partir de documentos do Wikileaks que estão sendo distribuídas a cada duas horas ao longo dessa semana.
E o engraçado da história é que a trupe dos jornalões, que andava dizendo que a internet, os blogs e sites, nada mais eram do que caixa de ressonância da velha mídia, está agora com o olho pregado na Pública esperando o próximo drops, sabor pólvora.
Pois, vamos logo a elas. O link já está devidamente posicionado ali do lado direito, na Redondeza.
Parabéns muchachas!
ET: enquanto isso, no site do Estadão, jornalão por excelência, o que resta é a produção de um parrudo factoide. Aproveitando-se da aura suspeita que cerca o prefeito de Campinas, o jornal estampa em letras garrafais um "grampo" que trataria de um suposto lobby do Dr. Hélio com o marketeiro de Dilma em favor de uma empresa chinesa. Ouça aqui o áudio, disponibilizado pelo mesmo jornal que produziu o factoide, para perceber como não há absolutamente nada de ilegal, irregular ou anti-ético na conversa dos dois. Aliás, o Prefeito deixa claro que se trata de uma decisão de investimento já tomada pela empresa, em favor de Campinas, e que se trata de uma oportunidade - legítima e corriqueira - da Presidenta Dilma, que estaria na cidade, participar do anúncio oficial do investimento da multinacional.
Lamentável! De minha perspectiva, a ilegalidade do episódio está apenas e tão somente na divulgação de uma gravação que foi produzida com autorização da justiça para investigar suspeitas de corrupção na prefeitura de Campinas e que não tem qualquer vínculo com o teor da conversa sobre a qual montaram o factoide. Seria ótimo que o Ministério Público Paulista, responsável pelas investigações em Campinas, se comprometesse, primeiro, a apurar como o material vazou de seus processos e, segundo, a defender o interesse do público ante a patente e irresponsável má fé do "furo" jornalístico desse carcomido jornalão.
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29.6.11
8.11.10
sobre o que revelam as nuvens virtuais
Em meio ao mais intenso tiroteio da campanha eleitoral, com bolinha de papel voando pra todo lado, Túlio Vianna tuitou um desconcertante petardo:
"O Twitter faz eu gostar de pessoas que nunca vi; o Facebook faz eu odiar as que eu conheço."
Àquela altura da batalha, não tive tempo de me deter no assunto. Porém, reestabelecida a paz, é hora de voltar ao tema.
Quem navega com alguma frequência pelos dois universos (do Twitter e do Facebook) há de concordar que de fato ocorre o que sugere a frase.
No twitter, onde os vínculos se estabelecem a partir de mensagens curtas - com no máximo 140 caracteres - nossa tendência é nos instalarmos numa espécie de 'cluster' virtual , um emaranhado de pessoas que têm em comum o interesse por determinados temas. Ou seja, a escolha dos pares é definida principalmente a partir do conteúdo das mais diversas mensagens que nos chegam.
Já no Facebook, onde os nexos se dão a partir das redes de relacionamentos prévios que cada um possui - familiares, colegas de trabalho, amigos de escola, torcedores do time, vizinhos de bairro, etc. - constroi-se um 'cluster' que tem como fator de união as várias dimensões sociais de cada um de nós. Aqui, partimos do mundo real para nos reunir no virtual.
Comparando os dois 'mundos', os dois 'clusters' ou as duas 'nuvens', como queiram, descobre-se que nossa identidade é muito maior com os 'fulanos' do twitter do que com a larga família que nos rodeia no Facebook.
Bobagem? Talvez, mas creio que uma bobagem reveladora.
Com esses aparatos da internet, podemos hoje contatar gente de órbitas que desconhecemos em absoluto, captando de cada qual apenas aquilo que de comum tem conosco. Caem por terra os monopólios sociais, os limites físicos, os preconceitos étnicos, as hierarquias culturais, e tocamos diretamente um outro que sequer podemos saber se existe de fato, onde está ou que apito toca. Mas, apesar disso, compartilhamos algum ponto de vista, temos alguma afinidade, talvez única e ligeira, mas suficiente para ampliar nossos nexos com o mundo.
Se admitirmos que nossa existência é fundamentalmente uma resultante de nossas experiências comunicativas, então podemos dizer que - potencialmente ao menos - essas novas experiências de comunicação nos habilitam a expandir exponencialmente nossa existência. Notem bem, não penso exatamente no aspecto quantitativo, mas no fato de que os campos semânticos que nos servem de substrato para pensar e existir são intensa e irremediavelmente contaminados e, portanto, alargados a limites que não somos capazes sequer de antever.
Por outro lado, quando olhamos para nossa turma no Facebook, encontramos um monte de gente que nos é cara, grandes amigos, rostos saudosos. Mas, nesse ambiente virtual, explicitam-se os anacronismos daquelas relações, cujo amálgama descobrimos não ser exatamente as afinidades como supúnhamos, mas antes a escolha entre aqueles que, no limite, frequentam nosso estamento. No Facebook, com o auxílio da tecnologia, somos capazes de reunir todas as nossas patotas, de diferentes épocas e lugares. Mas, ali se revela o peso e a força da 'nossa' sociedade. A idéia abstrata de que somos um suporte de relações sociais nos diz bom dia.
5.10.10
para pensar a política, a economia
A tal onda verde que desestabilizou pesquisas e corações, está provocando bons debates pela bolgosfera. Gente como Alex Nodári, Rodrigo Viana, Flávia Cera, Antônio L.C.Costa, Luis Nassif e Idelber Avelar escreveram coisas muito interessantes. Em especial, recomendo o post do Idelber, que aponta para os aspectos mais relevantes, muitos dos quais passaram batido pelos analistas dos jornalões e dos politicólogos acadêmicos.
Contudo, como sempre há algo mais a dizer - e eu o disse ao Idelber nos cometários do Biscoito Fino - reproduzo abaixo, tanto o texto dele, quanto o meu, onde procuro chamar a atenção para os aspectos econômicos que necessariamente devem ser considerados no debate político.
Primeiro o dele e a seguir o meu:
Por Idelber Avelar
O que dizem os votos de Marina e como conquistá-los
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Porém, a despeito de tudo que dissestes e do pós-moderno ou pós-Lula que eventualmente explique a ascensão da candidata verde, acho que é importante refletir o fenômeno Marina tendo sempre em mente sua dupla face: por um lado, essa novidade que você bem analisa e, por outro, a velharia que lhe deu combustível, qual seja, a estratégia tucana de desconstruir a Dilma. Essa face opaca da ascensão de Marina não me parece que seja tão irrelevante como você sugere em tua análise. Vinte dias antes da eleição, Marina aparecia nas pesquisas com aproximadamente 10% das preferências, e não foi de seu próprio campo que se construiu o impulso final que lhe deu projeção. Ela estava no lugar certo (sentada sobre uma proposta política principista, estéril, que não ameaça porque não é concreta) e na hora certa (quando os tucanos intensificaram o terrorismo anti-PT), atraindo para si a tal onda verde (seria de paúra?).
Contudo, como sempre há algo mais a dizer - e eu o disse ao Idelber nos cometários do Biscoito Fino - reproduzo abaixo, tanto o texto dele, quanto o meu, onde procuro chamar a atenção para os aspectos econômicos que necessariamente devem ser considerados no debate político.
Primeiro o dele e a seguir o meu:
Por Idelber Avelar
O que dizem os votos de Marina e como conquistá-los
Você pode discutir qual é o peso relativo dos três (não dois) grandes blocos de votos que contribuíram para os surpreendentes 20% de Marina Silva: 1) o voto estritamente marinista, verde, ecológico, que é crítico de algo maior que o PT, ou seja, de todo um paradigmadesenvolvimentista que, ironia das ironias, o PT veio a representar melhor que ninguém; 2) o voto "ético"-jovem-universitário-profissional-liberal-urbano, uma parte dele (a maior, me parece) composta por desiludidos com erros ou presepadas do PT, e a outra parte (menor, me parece) composta por eleitores movidos pelo episódio Erenice; 3) o voto evangélico que, por sua vez, tampouco é homogêneo, posto que formado de uma parcela—menor, creio—de votantes que já estavam com Marina e outra parcela—maior, creio—que foi mobilizada em termos anti-Dilma às vésperas da eleição. Num debate que teria, de preferência, que se realizar com atenção aos mapas relevantes, poder-se-ia discutir à exaustão qual é a contribuição de cada um desses segmentos para o resultado final.
O que me parece indiscutível é que somente este último, o voto evangélico, chega como irrupção e acontecimento. Foi ele o grosso do voto não computado nas pesquisas. Isso me parece verdadeiro, mas não se pode pular daí para a afirmação de que foi o atraso quem impediu a vitória dilmista no primeiro turno. Essa linha de análise é sempre muito rasa.
Para a campanha de Dilma, a tarefa é dupla. Por um lado, há que se entender os recados dados por todos os segmentos que votaram em Marina, para que a partir daí ocorra a negociação e o convencimento desse eleitorado. Esses recados têm densidade, têm conteúdo, aludem a fatos reais e não se limitam, de forma nenhuma, a uma suposta “Marina no colo da direita”. Jogar por aí é não entender o jogo. Por outro lado, há que se analisar quais foram os erros de campanha de Dilma que ajudaram a impedir a esperada vitória no primeiro turno. Fazer as duas coisas já não é fácil. Fazê-las simultaneamente é mais difícil ainda, pois a primeira—ouvir realmente os eleitores de Marina—exige humildade, proximidade e empatia. A segunda tarefa—fazer a autocrítica da campanha—exige inteligência, desprendimento, distância. São duas tarefas aparentemente contraditórias, que demandam posturas e capacidades opostas, mas elas são simultâneas e complementares.
O fascinante do resultado de domingo é que todo mundo errou. Se alguém aí previu que Marina venceria em Belo Horizonte, Maceió, Distrito Federal, Nova Lima, Volta Redonda, Vitória, Vila Velha e Niterói, além de praticamente empatar com Dilma em Natal e superá-la em Campina Grande, levante a mão, mostre um link com data anterior a 03 de outubro, que eu visto uma camisa do Flamengo ou do Cruzeiro aqui, a gosto do freguês. Todo mundo errou nas previsões, inclusive o vitorioso de domingo na eleição presidencial, que foi claramente o campo marinista. Por isso o futebol, na sua imponderabilidade, é o esporte que mais tem a ver com a política democrática. Sim, trata-se do velho clichê da caixinha de surpresas, mas também do dado menos óbvio de que o futebol é o menos contábil dos esportes, e se há uma mensagem relevante que a campanha de Marina tentou transmitir é a crítica à redução do mundo a uma lógica contábil. Quando gente como Ricardo Paes de Barros, José Miguel Wisnik, Alexandre Nodari e Eduardo Viveiros de Castrocoincidem numa candidatura que não é a sua, ou que não é a que você esperava que eles apoiassem, só um sectário muito desprovido de sensibilidade passaria à desqualificação sem uma escuta detida.
No campo dos erros, há que se destacar os estruturais, mais antigos, e os conjunturais, que se manifestaram de uma forma especialmente maluca nesta campanha. Os erros estruturais são parte do recado das urnas marinistas e não podem ser ignorados. O caso de Belo Horizonte é emblemático. Há exatos dois anos, o PT concluía 16 anos de governo de uma coalizão sua na cidade, com um prefeito que deixava o cargo comnoventa por cento de aprovação. Esse prefeito, Fernando Pimentel, é diretamente associado a Dilma e é parte da cúpula de sua campanha. A cidade não tem qualquer tradição de antipetismo raivoso como aquele encontrado em partes de São Paulo e Porto Alegre. Como é possível que o resultado aqui tenha sido Marina Silva 39,9%, Dilma Rousseff 30,9% e José Serra 27,7%, num contexto de grande vitória da esquerda nas legislativas?
Essa parte me parece relativamente simples. As urnas disseram: “não gostamos das lambanças do PT-BH nas eleições de 2008 e do PT-MG em 2010, apesar de o PT ter governado bem a cidade. Votaremos em alguém que é suficientemente próxima aos ideais da bem sucedida prefeitura de 1992-2008, mas que se afastou do campo petista, em parte, por lambanças como essa”. Junte-se a esse recado mais estrutural a avalanche de desinformação e propaganda pra cima dos evangélicos nos últimos dias--essa avalanche realmente existiu—e você tem os ingredientes dos números que deixaram todos os junkies políticos belo-horizontinos de queixo caído. Os mesmos ingredientes se combinam em outras latitudes, como o Acre, um estado onde o PT tem fortíssimas raízes, elegeu o Governador e um Senador, mas no qual Dilma ficou empatada com Marina e bem longe de Serra. Se você é petista e não vê aí um recado além do “Marina está no colo da direita” ou do “Marina é a falência do movimento ecológico” (sim, isso foi escrito), sinto muito, você precisa ler a Flávia Cera.
É sabido que, por volta de dois meses atrás, um grupo de lideranças evangélicas procurou a campanha de Dilma, preocupadas com a disseminação de boatos e emails falsos. A campanha fez a “Carta ao Povo de Deus” e ficou por isso mesmo. Os programas de João Santana—excelentes, belíssimos, inovadores—não dedicaram um só minuto, no entanto, à refutação da pilha de spam religioso anti-Dilma disseminada para púlpitos e fiéis. A coordenação de internet não ofereceu respostas a isso. Preferiu brincar de Twitter e #ondavermelha. A campanha online foi feita à base do cada um por si, sem que se aproveitasse de forma coordenada a enorme base de recursos humanos da esquerda brasileira na rede.
Quando os evangélicos voltaram a procurar a campanha de Dilma, em setembro, o nível da loucura havia piorado sensivelmente. Algumas lideranças religiosas gravaram depoimentos de apoio à candidata petista, mas não houve uma resposta sólida e consistente da campanha. Os marqueteiros não são lá grandes fãs do potencial da rede e, por sua vez, a coordenação de internet de Dilma era pobre e fraca de ideias. É importante reconhecer isso sem que esse reconhecimento nos ensurdeça para o recado real das urnas marinistas, que transcende em muito o spam do ódio.
É evidente que temos que explicar que Michel Temer não é satanista. Aliás, podemos inclusive esclarecer que ele já fez pactos com o DEM mas, pelo que nos consta, com Satã nunca aconteceu. Mas é preciso fazer isso sem desmerecer ou desqualificar o recado dado pelas urnas marinistas em sua totalidade, sem reduzir o voto de Marina a qualquer um de seus blocos, muito menos o evangélico, justamente aquele que é mais conjuntural (apesar que não necessariamente menos numeroso) na constituição da identidade da sua candidatura.
Não há motivo para pânico. Marina tem muito mais a ver com Dilma que com Serra, e isso é o próprio Serra quem diz. Para nós, faltam 3 pontinhos. Para Serra, faltam quase 18. Marina sabe que coloca seu capital político em maus lençóis se apoiar alguém como Serra. Também sabe que não lhe interessa entregar nada de graça a Dilma agora, e há que se entender isso. É da política. Um petista reclamando que Marina não está agindo de forma a facilitar as coisas pra nós é como um lateral queixando-se de que um ponta o engana, fingindo que vai abrir o jogo para depois cortar para o meio. Ora, você tem que aprender a marcar. O jogo é jogado.
Ainda estamos bem, mas é preciso jogar com inteligência, humildade e decência e, acima de tudo, não deixar que nenhuma dessas qualidades atrapalhe as outras duas.
(aqui o link para o post de Ildeber Avelar)
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Abaixo, o meu comentário, com alguns ajustes em relação àquele postado no Biscoito Fino:
Excelente análise. Aliás, como sempre.
Vesti a carapuça em mais de um trecho e estou certo de que a candidatura Marina foi subestimada, em boa medida por conta do clima de "já ganhou" que se instaurou na campanha da Dilma e pelo fato de que, aos olhos petistas, era difícil reconhecer méritos e ameaça em alguém que veio do ninho e que, principalmente, "traiu" o campo governista aos 35 minutos do segundo tempo (Freud e Xico Sá talvez expliquem melhor).
Porém, a despeito de tudo que dissestes e do pós-moderno ou pós-Lula que eventualmente explique a ascensão da candidata verde, acho que é importante refletir o fenômeno Marina tendo sempre em mente sua dupla face: por um lado, essa novidade que você bem analisa e, por outro, a velharia que lhe deu combustível, qual seja, a estratégia tucana de desconstruir a Dilma. Essa face opaca da ascensão de Marina não me parece que seja tão irrelevante como você sugere em tua análise. Vinte dias antes da eleição, Marina aparecia nas pesquisas com aproximadamente 10% das preferências, e não foi de seu próprio campo que se construiu o impulso final que lhe deu projeção. Ela estava no lugar certo (sentada sobre uma proposta política principista, estéril, que não ameaça porque não é concreta) e na hora certa (quando os tucanos intensificaram o terrorismo anti-PT), atraindo para si a tal onda verde (seria de paúra?).
Além de tudo isso, tem um aspecto que já tratei em teu blog em outras ocasiões - e que pode decorrer de nossos diferentes tiques profissionais. Acho que você peca na análise por enfatizar a superestrutura (do Marx), deixando em segundo plano a perspectiva econômica que habita as posições e projetos políticos. Marina, Obama, Clinton, PT de BH, Palocci, por exemplo, (que no teu blog já despontaram com vestes rosadas) são a meu ver fenômenos políticos carregados de contradição, que, em última instância, naturalizam a infraestrutura (a dimensão econômica) para capturarem (intuitivamente, claro) o melhor dos dois mundos. Quando falo em infraestrutura, não estou resgatando temas como o conflito capital-trabalho, mas, por exemplo, a cegueira dessa trupe em relação ao caráter disruptivo da circulação financeira no mundo contemporâneo. Fazer cara de paisagem e vender a imagem de que os temas econômicos devem ser tratados apenas com a austeridade e o bom-mocismo é de uma insanidade inaceitável em um político que se pretende apresentar como transição para o pós-moderno. A matriz dessa abordagem econômica naturalista remonta ao século XVIII, quando o equilíbrio surgia como idéia-força. Não por acaso, costuma seduzir com facilidade as mentes preocupadas com os importantes temas da sustentabilidade e da perspectiva sistêmica.
Dificilmente há algo mais pós-moderno do que os derivativos financeiros que estão sendo maquinados nas mesas de operações de Wall Street, enquanto jogamos conversa fora. E o fato de serem transações abstratas, etéreas, não nos autorizam a desconsiderá-las. Pelo contrário, é justamente por esse aspecto fugidio da economia pós-moderna que, mais do que nunca, devemos nos esforçar para ancorar o debate político no econômico. Um exemplo. A rápida obsolescência industrial que devasta cidades, empregos e vidas nos EUA de hoje (portanto um descalabro em termos de sustentabilidade), é decorrência direta da liberdade de capitais que joga com moedas e ativos mundo afora.
os partidos e candidatos que se arriscam pela terceira via fingem desconhecer esse fenômeno, tão bem antecipado por Keynes, no século passado. É precisamente por essa razão que esse povo todo topa sentar no mesmo barco. Noves fora, estão todos de acordo.
20.8.10
encontro dos blogueiros progressistas
2.9.09
outro blogcídio
Agora foi a vez de José Saramago saltar das teclas, deixando seu blog à deriva, tal qual uma ilha de deliciosos posts esquecida em meio ao oceano. Tá certo que a causa é nobre - quase sempre o é, são os projetos de mais fôlego - mas é perda que não merecíamos. Nem bem nos recuperávamos do vácuo deixado pelo degredo auto-imposto de Idelber de "O Biscoito", agora mais esta. Espero que não estejamos diante de qualquer Lei Geral da blogosfera.
Saravá!
23.8.09
observando o observatório verde
O futebol, como raríssimas coisas da vida, promove uma deliciosa fusão da objetividade à subjetividade - somadas a apimentadas gotas do acaso. Iluministas que somos, gostamos de arquitetar teses e hipóteses solidamente fincadas nos fatos para justificar a paixão irracional que dedicamos a uma camisa, a uma história gloriosa de uma matilha que nos agrega desde a infância.
Quando os prognósticos falham, os gols não pintam ou o juiz mostra a que veio, cabe a cada um provar para si e para nossos parceiros de esgrima o quanto o acaso ou a rasa moral da arbitragem desfigurou o que parecia inevitável.
Mas, em compensação... quando a bola cutuca as redes do gol adversário, confirmando as teses rabiscadas no guardanapo, aí triscamos o Olimpo. Como semi-deuses mesclamos a paixão humana à oniciência de quem vê o mundo do alto - "falei, filha da puta!".
E por que este intróito?
Primeiro porque com mais de quarenta anos nas costas, continuo tão palmeirense quanto nos tempos em que José Silvério narrava os infinitos empates do meu sofrível palmeiras dos anos 80; segundo porque neste espaço da blogosfera, vai se cristalizando uma rede de blogs dedicados à Sociedade Esportiva Palmeiras que compõem um conjunto muito rico de análises futebolíticas. É o que o blog Observatório Verde denominou de mídia palestrina.
Pois é, a coisa tá tão avançada, que temos até um Observatório, colocando-se como uma espécie de blog-ombudsman do que andam pensando e escrevendo os seguidores da Cruz de Savóia.
Dito isso, convido os que até aqui chegaram para visitar o Observatório Verde, incluso a partir de hoje na Redondeza. Como poderão observar, os caras que o produzem são muito competentes, devidamente habilitados para analisar criticamente a quantas anda o nosso mundo verde.
PS: estive ontem no Jardim Suspenso de Parque Antártica assistindo o jogo Palmeiras 2 x 1 Inter-RS e participando de uma belíssima festa, abrilhantada pelo lançamento da camisa comemorativa do Palestra, inspirada na original, com a qual jogava em 1914. Foi um jogo ao estilo platino, de muita garra, muita vontade de ambos os lados e um tanto de lances brilhantes, como as arrancadas endiabradas de Diego Souza ou o belo gol de honra gaúcho, de Juliano. E atenção: ficou claro que brota um craque no Jardim Suspenso: Souza, volante de marcação, raçudo como deve ser por ofício, porém habilidoso e inteligente como poucos dessa posição.
11.8.09
biscoito à deriva
Uma nota triste:
Idelber Avelar anunciou ontem o seu blogcídio - temporário - alegando razões profissionais para hibernar o blog “biscoito fino e a massa”.
Obviamente, tem ele todo o direito e é perfeitamente compreensível que após cinco anos de intensa atividade resolva parar para respirar.
Entretanto, para quem navega na blogosfera a notícia não deixa de ser triste. Idelber inspirou muitos blogs e o "biscoito", assim como o blog do Nassif, era uma espécie de ponto de encontro virtual dos blogueiros. Era lá que 'tomávamos nossa cachaça'.
Além disso, impossível não mencionar o primoroso talento com que escrevia os posts, quase diários. Sempre inteligente, antenado, à esquerda e de rara sensatez, o “biscoito” teve papel importante em alguns episódios recentes: orientando os que perderam o rumo em New Orleans, durante o furacão Catrina; informando, como nenhum órgão da imprensa nacional foi capaz, sobre a incrível eleição de Obama ou fazendo campanhas como a de rejeição ao AI-5 digital.
Imprescindível destacar também o “clube de leituras”, com deliciosos exercícios literários, compartihando com o mundão sofisticadas análises de textos de autores latino-americanos, como se estivéssemos em um debate numa sala de aula sem paredes.
É verdade, tenho que reconhecer, que lamentavelmente o blog tinha um viés atleticano, mas nada que comprometesse o principal. Como o galo não ajudava, não houve grandes prejuízos.
É uma pena, seja pela ausência, seja por revelar as dificuldades que persistem.
Vá ser gouche nesta vida, Idelber. Mas volte, nem que seja no dia em que o Atlético vier a ser campeão!
P.S.: de qualquer modo, o link para o "Biscoito" permanecerá na "Redondeza", ali à direita. Além de seu significado histórico, mesmo inativo, contém um rico acervo de temas, suas análises e muitos palpites.
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