Nada como um catedrático, autor de gramáticas, fundador do Museu da Língua Portuguesa e, portanto, autoridade inquestionável sobre o assunto, para deixar claro os aspectos desconsiderados pelos doutos que, ignorantes e banhados em naftalina, saem por aí clamando pela "norma culta", como se a questão se resumisse a um debate jacobino.
É sintomático que uma polêmica como essa tenha surgido alguns dias após o episódio da "gente diferenciada". Plasmam-se no mesmo caldo de cultura, de uma classe dominante que vira e mexe se espanta com os novos bárbaros que emergem dos buracos de metrô, que consomem de maneira frenética ou que "assassinam" a 'norma culta' a três por quatro.
Para surpresa dessa gente reacionária, do jeito que a coisa vai, acabaremos falando como os franceses, que, como ensina o Prof. Ataliba, não pronunciam o "s" há séculos e que, a despeito do desvio, continuam encantando a trupe dos iguais.
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24.5.11
17.3.11
o mais cabaço dos suingues
Os anos 80 foram pródigos em extravagâncias sentimentaloides. Nas roupas, nos cabelos, nas músicas, abusava-se dos recursos artificiais e dos sentimentos fáceis para marcar a contra-reforma dos costumes e assim, talvez, expurgar o que restava de hippie ou de punk no sangue das gentes.
E foi justamente naquela década que vivi a adolescência e, confesso, ouvi e gostei de músicas que só o velho esquema dos jabás das FMs explica (será?). De Radio Taxi e sua Pequena Eva a Supertramp e outros do gênero, era um ramerame atrás do outro. Raspando o tacho daqueles tempos tristes, de agonia da ditadura, em que nem o Palestra Itália ajudava, e quando a revista Playboy mostrava apenas os seios, creio que o símbolo maior do suingue insosso e bem comportado foi o grupo The Alan Parsons Project, uma espécie de trilha sonora para tardes de chuva e de braço direito cansado.
Segue, não sei bem por que, um vídeo do grupo
E foi justamente naquela década que vivi a adolescência e, confesso, ouvi e gostei de músicas que só o velho esquema dos jabás das FMs explica (será?). De Radio Taxi e sua Pequena Eva a Supertramp e outros do gênero, era um ramerame atrás do outro. Raspando o tacho daqueles tempos tristes, de agonia da ditadura, em que nem o Palestra Itália ajudava, e quando a revista Playboy mostrava apenas os seios, creio que o símbolo maior do suingue insosso e bem comportado foi o grupo The Alan Parsons Project, uma espécie de trilha sonora para tardes de chuva e de braço direito cansado.
Segue, não sei bem por que, um vídeo do grupo
18.9.10
a turma do "dentinho escovado" e a morte de Lula
Aos que por aqui passam, informo que estou criando uma nova categoria de posts que denominarei "dentinho escovado". Obviamente, será a gaveta virtual reservada a textos que façam referência aos blogs limpinhos, ou seja, aqueles que não se enquadram entre os blogs sujos, que tanto desafiam a paciência de Dick Zé Vigarista.
Tenho a impressão e boto fé que a gaveta "dentinho escovado" terá vida curta, assim como a dos "midia-ligeira", que nos idos de 2007 serviram de estopim para esse blog-catarse.
E, para inaugurar essa gaveta máxima do bom meninísmo blogueiro, uma pérola garimpada pelo Alê Porto: um papinho descontraído de 2006, entre Diogo Mainardi (hoje autoexilado em Veneza) e Reinaldo Azevedo (hoje vivendo nas profundezas de alguma estação prestes a ser inaugurada do Metro paulistano). Notem quando os dois, cavalgando a história, se regozijam de serem os responsáveis pelo fim do Lula : "é quase uma vitória pessoal sua e minha", diz o Azevedo.
E, mais animados: "Essa gente mereceria a perda de direitos políticos e, na melhor das hipóteses, cadeia", completa o cheiroso Mainardi, sugerindo pois nada menos que a morte ou talvez o apedrejamento em praça pública do presidente do país à época - já imaginaram o que diriam se a imprensa no Brasil não estivesse "comprada pelo governo", se fosse efetivamente livre?
Não deixe de ouvir. Clique aqui.
E, para acompanhar o prato principal, uma excelente reflexão desse processo de terceirização política à imprensa, escrita por Marcos Coimbra. Leia aqui.
Tenho a impressão e boto fé que a gaveta "dentinho escovado" terá vida curta, assim como a dos "midia-ligeira", que nos idos de 2007 serviram de estopim para esse blog-catarse.
E, para inaugurar essa gaveta máxima do bom meninísmo blogueiro, uma pérola garimpada pelo Alê Porto: um papinho descontraído de 2006, entre Diogo Mainardi (hoje autoexilado em Veneza) e Reinaldo Azevedo (hoje vivendo nas profundezas de alguma estação prestes a ser inaugurada do Metro paulistano). Notem quando os dois, cavalgando a história, se regozijam de serem os responsáveis pelo fim do Lula : "é quase uma vitória pessoal sua e minha", diz o Azevedo.
E, mais animados: "Essa gente mereceria a perda de direitos políticos e, na melhor das hipóteses, cadeia", completa o cheiroso Mainardi, sugerindo pois nada menos que a morte ou talvez o apedrejamento em praça pública do presidente do país à época - já imaginaram o que diriam se a imprensa no Brasil não estivesse "comprada pelo governo", se fosse efetivamente livre?
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E, para acompanhar o prato principal, uma excelente reflexão desse processo de terceirização política à imprensa, escrita por Marcos Coimbra. Leia aqui.
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